Oficina

Relatório da Oficina inclusa no Projeto “O Feminino em Cena”

da proponente e atriz Sandra Baron – Edital 02/2010 – PMJS

por Fábio Prates.

 

 

Oficina: O Ator Criador Espontaneidade e Desenho no Espaço

Esta oficina está focada na busca da peculiaridade criativa, emocional e corporal.

A medida em que me deparo com meus preconceitos e resistências, procuro diferenciar o que é essencialmente meu e o que me é imposto. Desvencilho-me de comparações e conceitos e encontro a organicidade, a liberdade criadora, a espontainedade e o prazer. Primeiro crio, depois conceituo. Primeiro encontro o que quero dizer, depois como vou dizer.” Deborah Finocchiaro.

Na prática foram trabalhadas técnicas expressivas para o ator/criador:

  • Exercícios físicos de equilíbrio, oposição, coordenação motora, saltos e quedas, energias corporais, técnicas de artes marciais e criação de partituras; 
  • Exercícios vocais de respiração, sustentação, articulação, ritmo, dinâmica e volume;
  • Jogos;
  • Improvisação;
  • Leituras de textos e poemas.

Ministrante: Deborah Finocchiaro
Relatório:

Jaraguá do Sul – Sábado, 24/09/2011 – 14h – 1º dia

O projeto tem como objetivo uma pesquisa teatral de investigação do feminino no teatro, com base em mulheres artistas. Dentro do projeto, estava prevista uma oficina fechada da atriz Deborah Finochiaro. A oficina foi dividida entre um período aberto a alunos de diferentes grupos da cidade, e outro período exclusivo com Sandra, dentro dos propósitos principais do projeto. A oficina começa as 14h. O clima na cidade, segundo Débora, esta ótimo, não muito frio. Conheci esta formidável atriz pela manhã, no museu da cidade. Vestia roupas confortáveis, próprias já para a oficina. Na apresentação foi simpática, e um tanto reservada. Gostei. Os atores convidados que participam da Oficina e seus respectivos grupos são: Sandra Baron(Gats) Leone Silva(Gats) Fabio Prates (Cia Sapatada) Suzi Daiane (Av. Lamparina) e Anderson Santos . Logo no começo, ela nos diz que aprecia o trabalho corporal, a meditação e o preparo físico do artista, entre outros comentários sobre a importância da atenção cênica e de como o domínio de nosso corpo se torna instrumento importantíssimo para isso. A oficina transcorre bem com exercícios de preparação e jogos de cenas em pequenos grupos.São nos dadas algumas tarefas para o outro dia. A oficina aberta termina as 17h, e Débora nos deixa como tarefa para o outro dia trazer um texto curto e alguns movimentos corporais. 

Abertura da Oficina (14h)

A Oficina em execução dentro do projeto se chama “Desenho e Espontaneidade no Espaço”. Deborah acredita muito no trabalho físico do ator, não necessariamente um preparo de atleta, mas uma condição física que possa suportar o que o ator deseja fazer no seu trabalho. Além disso, a relação na oficina é de troca de experiências, horizontalmente, mostrando também o filtro de teatro de Deborah, e que existe necessidade de treinar muito a técnica, justamente para que ela não apareça em cena. A espontaneidade, do título da oficina é uma especie de ser seu próprio marionete, perceber o que se está fazendo, dominar o seu desenho no espaço, aumentar nosso nível de percepção. Dentro disso, a meditação é muito importante no sentido de estar no aqui e agora, estar presente no momento da apresentação. Enfim, o objetivo é chegar nestas condições através de muito trabalho físico.

Os exercícios da oficina começam soltando o corpo, buscando aquela sensação de “marionete”, e esta busca de estende pelo resto da oficina observando o próprio corpo, bem dentro, como estão os músculos, tentando imaginar até o esqueleto como estaria, a finalidade disto é perceber bem o próprio corpo e fazer as correções necessárias.

Através de vários exercícios de equilíbrio, achar o centro de gravidade, soltando o quadril, puxando um “fio” imaginário de cima da cabeça, assim os exercícios seguem tentando achar uma maior naturalidade (espontaneidade) do corpo.

Os exercícios são de apontamento de soluções corporais não só para o teatro, mas para a vida. O preparo precisa estar presente para também evitar danos ao corpo, mas principalmente para que se tenha autonomia para se fazer o que quiser em cena, e aproveitar bem as possibilidades do corpo. É importante sempre voltar, através de técnicas e exercícios específicos, a postura de neutralidade, de “pré expressividade”, tirando assim um pouco do próprio jeito, dos próprios vícios. Depois da preparação, os oficinantes fizeram um pequeno exercício de improvisação, e após, foi também pedido que nos preparássemos com um pequeno texto para os exercícios do dia seguinte.

19h

Após um lanche de frutas, pão e café com leite, que nos esquentou um pouco, sentamos os três (Sandra, Débora e Fabio) e começamos a conversar sobre o projeto. Sandra dá explicações detalhadas sobre o projeto, as ideias do feminino que deseja explorar, as fontes de que bebeu na inspiração para o projeto junto com as referências que tem. Débora se mostra curiosa sobre os detalhes das mulheres que são referência dentro da pesquisa. Ficamos de passar mais informações sobre os pilares do projeto, e as principais referências são Denise Stoklos, Pina Bausch e Artemísia Gentileschi. Sandra e Débora analisam imagens dos desenhos da Artemísia e fotos e informações da peça “Luz de Judite”. Sandra conta a sinopse da peça para Débora, que propõe deixar de lado um pouco as técnicas e experimentar o trabalho direto nas cenas , com propostas de aplicação em relação ao começo dos trabalhos de montagem do espetáculo. Os exercícios seriam de trabalho das cenas, por exemplo, movimentos dos desenhos dela, um vestido que tenha um bom caimento, que fique grande (estilo Pina Bausch). Sandra explica com detalhes a história de Artemísia, através do relato do livro “Paixão de Artemísia”. A conversa com Débora toma um rumo mais íntimo, aonde, de maneira natural, Sandra vai revelando suas esperanças e temores em relação ao projeto, carreira, planos, e contando tambem com mais detalhes sua trajétória profissional, com um alguns toques de sua vida pessoal, mesmo porque as duas andam muito juntas, a profissional e a pessoal. Decido então me retirar e preparar alguma coisa em casa para comer, após a oficina. Durante a janta, Débora conduz a conversa com Sandra encontrando pontos ótimos de sustentação para a cosntrução de um espetáculo, como ela mesma disse, utilizando certo teor “confessional”, afinal Sandra tem, além das histórias de outras pessoas, histórias pessoais que segundo Débora, acrescentariam muito no projeto e o tornariam mais autêntico e humano. Muita filosofia e livros são discutidos. Macarrão, quase não sobrou nada… 🙂

O primeiro dia parece ter sido bem proveitoso.

 

Fábio Prates

 

Jaraguá do Sul – Domingo, 25/09/2011 – 14h – 2º dia

Sandra acabou de formatar o texto inicial da peça, como rascunho.

A parte aberta da oficina transcorre com alongamento, aquecimento e exercícios de coordenação, e depois de um tempo de preparação entre os atores, com alguns jogos de grupo, duplas e análise individual dos textos e partituras corporais de cada um, a produção de cada aluno e do grupo é avaliada e a avaliação serve para orientar o próximo dia que haverá de oficina.

O trabalho de Deborah como oficineira tem a capacidade de, através de uma boa dose de empatia, entender o que o artista quer contar e transformar isto, através de orientações especificas, em um relato convincente, que impressiona e convence pela qualidade cênica. São treinados movimentos cênicos que serão usados nos exercícios propostos pela oficineira.

A oficina segue com o módulo noturno onde Sandra e Débora fazem um aprofundamento no trabalho de pesquisa do espetáculo. O começo de toda oficina tem os exercícios de aquecimento, respiração, com muitas técnicas de Ioga, visando a preparação para a pesquisa do espetáculo os exercícios são intensos e duram cerca de 20 minutos.

Os trabalhos de construção prática do rascunho das cenas começam agora com o trabalho de desenho cênico, com a orientação de Deborah.

Sandra está contando as histórias pesquisadas de mulheres que ela considerou importantes para a sua pesquisa. Estas informações estão sendo analisadas e discutidas pelo filtro de Deborah, e a medida que Sandra vai contando estas histórias, elas são repetidas de maneira a melhor transmitir o sentido delas. Também é trabalhado a construção do ambiente no espaço, e assim sendo, vai se construindo a persona dramática de Sandra que conta estas histórias.

As ideias começam a se formar no sentido de misturar um pouco, talvez entre intervalos, as historias destas mulheres e do dia a dia do trabalho de atriz. Surge também a ideia de fazer algumas mimeses dos personagens das histórias pesquisadas. Os ensaios terminaram as 22h30, depois de muita conversa sobre experiências cotidianas sobre o que é o ser mulher.

 

Fábio Prates

 

Jaraguá do Sul – Segunda, 26/09/2011 – 14h30 – 3º dia

A oficina aberta repetiu os exercícios anteriores, com algumas variações e com o natural aperfeiçoamento dos alunos. Depois, o exercício com os textos e as partituras foi para um estagio mais denso, onde os atores intensificaram as atuações com exercícios de colocação do sentimento proposto através do corpo.

A oficina deste dia começou com exercícios de atenção, música e massagem de relaxamento em pontos de tensão do corpo, sempre com o foco no cuidado em perceber as tensões do corpo. Além disso, inúmeras outras técnicas de ioga como limpeza dos canais de respiração, pontos de relaxamento do corpo, etc. Além disso, também exercícios de vocalização, com técnicas de aproveitamento da voz, também no foco da percepção do corpo. Depois foi feito um exercício de improvisação com texto escolhido por cada um, aonde foi escolhido aleatoriamente um sentimento para colocar no texto, este sentimento não necessariamente sendo igual ao conteúdo do texto. A mudança se dá através de cadeiras aonde estão marcados com papel os sentimentos a serem representados e de acordo com a cadeira em que se senta, mostra-se o sentimento no texto. As 17h avaliamos e encerramos.

A oficina da noite começa com Sandra fazendo uma avaliação e um planejamento junto com Deborah. Para Sandra, o tempo urge e tudo preocupa um pouco. Deborah tranquiliza-a, discorre sobre as boas possibilidades de aplicação do material que já existe e que tudo pode ajudar durante a oficina, inclusive o cansaço. É acentuado por Deborah o propósito dos exercícios, onde o físico entra no melhoramento da performance do artista, inclusive através da melhora da coordenação motora.

Deborah e Sandra analisam um vídeo da família da Sandra, que ela fez meses antes de mandar a proposta do projeto. Dentro destes vídeos, uma parte interessante da tia contando sua própria história. O resto da conversa entre Sandra e Deborah transcorre de maneira tranquila, com observações de ambos os lados sobre as dificuldades, conquistas, alegrias e tristezas da mulher. Uma avaliação e um planejamento sobre o rendimento, capacidade e cronograma da oficina. Após conversar um pouco, surgem algumas conclusões e sugestões sobre os textos e roteiro. O uso de textos utilizados como exercício na própria oficina inseridos no próprio roteiro da pesquisa é tida como uma boa ideia. Além disso, é avaliado que a coordenação motora treinada na oficina é fundamental para o ator. Deborah também avaliou que o trabalho esta baseado em fragmentos de texto de Sandra, e que está ótimo o trabalho de organização disto. Outra questão abordada foi a boa quantidade de material confessional próprio da atriz e do ser humano, e que isto pode e deveria ser utilizado. Interessa no trabalho de Deborah muito mais o que vai ser mostrado do que o como, pois o como vem depois. O interessante é começar e deixar a linguagem vir. São discutidos longamente vários assuntos que definem o roteiro do espetáculo, como os fragmentos, os links do texto, as maneiras de organizar, as ideias sobre o que está por detrás dos textos estudados. Deborah dá uma boa ideia das técnicas que usa para organizar os fragmentos de texto, e de que maneira isso poderia ajudar Sandra a organizar seu próprio material.

Continuando esta pesquisa, Sandra relembra diversas histórias interessantes e vai contando a Deborah. Algumas histórias ajudam a ter opções de composição do roteiro, sempre com as indicações de Deborah no sentido de organizar as ideias e principalmente o que contar. A indicação é trabalhar em blocos, numerados para trabalho dos assuntos. Aos poucos vão surgindo os blocos que compõe o roteiro da peça. 

 

Fábio Prates

 

Jaraguá do Sul – Segunda, 27/09/2011 – 09h30 – 4º dia.

 

A oficina fechada vai pontuando novamente as questões do corpo, da voz, enfim, técnicas repassadas continuamente durante todo o processo. O interessante mesmo, além das técnicas, é ver surgir aos poucos os personagens do espetáculo, suas personalidades, seus motes, qual é a energia de cada um. Nisso Deborah é mestra, conseguindo captar desde pequenas nuances do ator até seu desenho maior no espaço. E assim vão se solidificando as ideias e direções do roteiro. Este dia a oficina com Sandra e Débora começa mais cedo, na parte da manhã, e durante toda a pesquisa deste dia, Sandra apresenta repetidas vezes um texto curto que escolheu para o trabalho de corpo. Este texto é repetido inúmeras vezes, de diversas maneiras, explorando muitas possibilidades através do olhar crítico de Deborah. São trabalhadas intenções dentro do texto, e Deborah dá varias indicações sobre a movimentação de palco. Apesar de ser trabalhada apenas uma introdução, Deborah coloca pontualmente detalhes da interpretação, mostrando caminhos e possibilidades que podem se expandir para todo o restante do trabalho de interpretação. Quando se fala em detalhes com Deborah, eles vem desde a entrada no palco. Além disso, as indicações de Deborah sugere alguns limites mas ao mesmo tempo é totalmente aberto as experimentações da manira de contar as histórias. O trabalho da partitura musical e tão importante quanto a física, principalmente na hora de tonalizar a riqueza diária de vozes e tons do cotidiano. Como falar natural, sem o tom “teatral”, mas segurando no diafragma. Enfim, o texto de um minuto foi repetido mais de 30 vezes, mas esta é a intenção da pesquisa, pois quando vemos uma peça ótima e que parece simples, é porque houve um trabalho enorme de preparação naquilo. Detalhes do vestido que a princípio vai ser usado também são analisados As indicações de Deborah são importantes porque não fixam um ponto aonde o trabalho está bom, mas indicam como ele pode sempre melhorar. Além disso, foram dadas indicações para se ter o máximo de silencio durante os ensaios.

14h

A oficina aberta repetiu, com outros exercícios interessantes, as técnicas com base no corpo, respiração, treino da voz, exercícios de atenção, e os participantes aos poucos vão obtendo resultados principalmente de observação do seu estado no palco. Foram feitos além dos exercícios já padrão de aquecimento e coordenação, mais exercícios específicos de voz, focados principalmente no volume e direção. Também foram feitos exercícios diversos para o trabalho corporal, com textura e resistência do corpo, exercícios de espelho junto com exercícios de atenção.

 

Fábio Prates

Jaraguá do SulSegunda, 28/09/2011 – 14h – 5º dia.

14h

Os exercícios de improvisação contém técnicas de desenho no espaço, em um jogo no qual o posicionamento é ágil, sem pensar muito e com uma conexão rápida com o colega em cena. A composição tem que ser perfeita, até gerar um “quadro” identificável. Estes exercícios fizeram a preparação para o exercício com o texto, fazendo assim uma melhor identificação para o público do que se quer passar com o texto. Foi usado o gesto para contribuir com o que se está dizendo, não precisando ser necessariamente uma coisa cotidiana, mas precisa somar com o que se está dizendo.

No final, na avaliação, se discute como se fortalece o que se esta dizendo com o texto, como se faz uma imagem perfeita e identificável do texto. Outro ponto importante é o condicionamento físico, assumindo as escolhas, se apropriando destas escolhas, e dando o melhor de si. Outro ponto colocado é que a oficina deixou as pessoas muito a vontade, e isso e isso possibilitou uma autoavaliação muito boa, pois a própria oficinante pode perceber de maneira mais fácil se cometeu algum erro ou não. Além disso, uma avaliação sobre o trabalho do ator deve ser uma avaliação como a de qualquer outro trabalho, pois temos que fazer o melhor possível sempre, como se fossemos “pedreiros de uma construção”. Essa “construção” deve ser feita e da maneira mais profissional possível.

18h Oficina Débora e Sandra

O último dia da oficina com Débora e Sandra passou necessariamente por uma busca dos momentos que mais renderam em relação aos trabalhos executados por Sandra durante a oficina e uma analise do impacto do cotidiano no dia a dia do trabalho do artista. Como manejar o eventual cansaço e stress, o medo do publico, as travas, etc. Um ponto colocado é da doação do ator onde ele coloca o amor na forma de doar seu trabalho ao público e não pensar tanto em si, pois aí pode surgir o nervosismo e as travas. São discutidas também as maneiras de preparo e descanso. Mas acima de tudo as travas de origem interna são debatidas, as travas que nós colocamos por nos darmos excesso de importância, por esperarmos demais do público, etc.

É também feita uma analise da necessidade do artista tomar a responsabilidade para si do trabalho sério de ator, que deve ser feito, numa analogia, como o trabalho de um pedreiro, aonde o esforço continuo e a dedicação levam a um resultado, uma “obra” que pode ser reconhecida como um teatro de qualidade, não apenas mais uma peça de teatro, e que divirta também o publico, pois isso também faz parte do trabalho.

É discutido o encadeamento dos temas e dos blocos, no sentido de criar surpresas para o espectador, e evitar os cansaços muito presentes em muitas peças, enfim, criar um gráfico de altos e baixos que ganhem o espectador durante a peça.

Os blocos continuam a serem pensados, com Artemísia cada vez mais vista como possível gancho para muitos blocos do espetáculo. São discutidas também as possibilidades de direção, direção de ator, auto direção, etc.

Ainda no final da oficina são discutidas muitas possibilidades práticas para as apresentações, desde cronogramas de apresentação e seus prazos, até inserção de personagens masculinos, como um estuprador representado por Sandra, passando pela analise de elementos de cena, figurino e etc.

A oficina termina com a conclusão acentuada de que conseguiu o seu propósito, que nos é dado no seu próprio título, desenho e espontaneidade no espaço. O desenho corporal e de voz, foi discutido e praticado acentuadamente, junto com a espontaneidade (naturalidade) tão difícil de se conseguir em qualquer trabalho de atuação. Mas o mais importante da oficina com certeza não são as conclusões as quais ela chega mas as direções que ele indica.

 

Fábio Prates


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